Publicado no Jornal O Progresso dia 29 / 11 / 2025 - OP016
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Nas
culturas antigas o imposto era tido como penalidade de guerra. Ou seja, pagava
imposto quem tombava no campo de batalha. Talvez por isso, fomos destinados a
viver numa luta incessante contra a mão pesada do agente fazendário. Somos
naturalmente aversos a qualquer taxação; parece que isso está gravado no nosso
DNA. E não é pra menos. Afinal de contas, o imposto, por si próprio, carrega
uma sucessão de fatos sangrentos que trituraram milhões de vidas para garantir a
opulência dos poderosos. A História também registra inúmeros episódios de
insurgências brotadas da revolta e da indignação, quando fome e desespero falaram
mais alto. Ou seja, tudo tem limite. E no Brasil, a gastança governamental
desenfreada testa diariamente o limite do contribuinte. Somos testados pela
pressão confiscatória que alimenta a ganância do alto funcionalismo. Além
disso, engolimos um sapo cururu a cada corrupto protegido pelo sistema
judicial. E assim, e apesar do verniz ideológico, repetimos o modelo tirânico
vigente nas eras passadas.
O
processo de independência dos EUA foi longo e doloroso. É possível que o
sofrimento para escapar da faminta coroa inglesa tenha contribuído para a
construção do senso de responsabilidade sobre a máquina pública. Os
estadunidenses são especialmente atentos ao dinheiro entregue para o poder
público; eles cobram, eles se organizam num encadeamento de entidades
fiscalizadoras para monitorar tudo que se refere aos órgãos públicos. Por outro
lado, os agentes públicos, sabedores dessa permanente vigilância, se esmeram na
gestão dos recursos que abastecem o erário. Pode-se chamar isso de
accountability ou de controle social. Desse modo, o funcionário público
americano não se preocupa tanto se determinado projeto é justo ou injusto, mas,
acima de tudo, pesa sempre a opinião do contribuinte. Por exemplo, em 2023, as
pessoas resgatadas pelo governo americano na Faixa de Gaza se comprometeram
formalmente a pagar os custos do transporte quando retornassem aos EUA. No
sentido contrário, o governo brasileiro arcou com gastos imensos na mesma
operação sem cogitar qualquer possibilidade de ressarcimento.
Na
visão do agente público brasileiro não existe onipresença do contribuinte. Na
verdade, o contribuinte é profundamente desrespeitado e severamente combatido. O
funcionário público concursado, por exemplo, acredita que foi ungido ao passar
num concurso seletivo. Sendo assim, é digno de todos os privilégios,
reverências e imunidades, em que o pagador de imposto deve se matar para bancar
seu padrão nababesco. Por exemplo, na pandemia, o patrimônio de milhões de
pessoas foi destruído para manter intacto, o alto custo do funcionalismo.
Enquanto as pessoas faliam ou morriam por falta de renda, o governador baixava
o cacete nas cobranças tributárias para que o “servidor público” tivesse seu
conforto garantido pelo “servidor privado”, não importando o tamanho do
sacrifício.
Quanto
aos políticos que administram o erário, fica evidente a total desatenção ao
pagador de impostos. O presidente, o governador, o deputado etc., vão criando
projetos frenéticos disso e daquilo que são pagos com o suor do contribuinte. E
todo dia ouvimos notícias sobre aumento de imposto para financiar pé-de-meia
estudantil, projetos culturais, auxílio-reclusão, bolsa atleta, auxílio gás
etc. (a lista é gigantesca). Tantos benefícios fomenta uma cultura de
dependência, como se houvesse uma fonte mágica que jorra dinheiro (se o governo
paga tudo, pra que trabalhar?).








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