Publicado no Jornal do Commercio dia 10 / 02 / 2026 - A507
Publicado no Jornal O Progresso dia 13 / 02 / 2026 - OP021
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A
reforma tributária implodiu a viga mestra das políticas regionais de fomento
econômico. Ou seja, aquela única receitinha utilizada por governantes para
gerar emprego e renda terá que ser substituída por ações inteligentes e
estratégicas. O problema é que políticas genuínas de desenvolvimento econômico
não produzem efeitos no curto prazo. A China é um grande exemplo, já que cada
colheita foi plantada e cultivada lá atrás. Aqui mesmo, em Manaus, temos o caso
emblemático da Bemol que trabalha horizontes bem largos para atingir objetivos consistentes.
Mas
a mentalidade prevalente no meio empresarial brasileiro quer tudo para amanhã.
Detalhe: quer que tudo aconteça de forma mágica e espontânea, sem planejamento,
sem capacitação, sem gestão; na verdade, o sucesso depende do jeitinho e dos
esquemas mirabolantes. Essa imagem tortuosa do setor privado espelha o modus
operandi do setor público, revelando assim o autêntico espírito brasileiro.
Pois é. Mas a reforma chega como um trator de esteira, passando por cima e
arrebentando estruturas apodrecidas que não cabem mais no contexto atual. Daí,
o choque de paradigma.
O
empresário apegado ao jeitinho está aos poucos sentindo os ventos da mudança e
percebendo que o tsunami se aproxima. O problema hermenêutico está nas esferas
pública e privada. Ou seja, a desorientação é geral e ao mesmo tempo agravada por
manifestações atabalhoadas que pipocam na internet. Fica claro a profusão de
interpretações confusas que estabelecem vaticínios sobre uma realidade ainda em
construção. E como o Brasil é um país de baixa qualificação instrucional, fica
difícil separar o joio do trigo; fica complicado discernir e filtrar a
enxurrada de proposições que cercam o assunto reforma tributária.
Os
governantes e suas assessorias medianas utilizam somente a receitinha do
incentivo fiscal para atrair investimentos. Ou seja, com o incentivo entregue
ao interessado, nada mais é necessário. O empreendimento beneficiado não pode
reclamar da mão de obra desqualificada. Também não pode exigir infraestrutura
nem acordos estratégicos nem segurança jurídica etc. O incentivo é mais do que
suficiente; e o beneficiado tem que se virar para cumprir sua parte na
empreitada.
Agora,
tais governantes e suas assessorias capengas estão correndo da sala pra cozinha;
tentando desenhar prognósticos para descobrir soluções que estanquem a provável
diáspora empresarial. A mentalidade anacrônica impediu o povo brasileiro de estabelecer
as bases dum sistema econômico eficiente. Por sorte, nem todos embarcaram nessa
canoa furada. Vários grupos já estão reformulando estratégias em virtude do fim
dos incentivos fiscais. Ou seja, as vantagens futuras estarão na proximidade de
fornecedores e clientes, ou canais de escoamento para mercados distantes. Também,
pesará na balança uma mão de obra mais qualificada. Por outro lado, as regiões
abandonadas e tendentes ao definhamento serão obrigadas a se reinventar. Quem
sabe, o choque da reforma tributária acorde os governantes e os façam olhar
para a China.
Décadas
atrás, o planejamento estratégico da China desregulamentou setores produtivos,
fortaleceu o setor privado, adotou mecanismos de mercado, reformulou ou fechou
empresas estatais; também, introduziu sistemas de gestão eficientes, reduziu
tarifas, fez intensos investimentos em infraestrutura, financiou pesquisa e
desenvolvimento com foco em tecnologias avançadas e, principalmente, envidou
esforços gigantes na formação de mão de obra qualificada. A China sabe que o
fundamento essencial do seu projeto de grandeza está na qualificação
profissional e tecnológica; é preciso formar pessoas capazes de enxergar
soluções para questões profundamente desafiadoras. E um sistema educacional
capenga como o brasileiro jamais competirá com os chineses em larga escala.

































