Reginaldo de Oliveira
Publicado no O Progresso dia 02 / 10 / 2026 - OP032
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A pátria da corrupção vem, há um bom tempo, se
desnudando frente ao mundo; mostrando suas mazelas, suas idiossincrasias, suas
feiuras. Melhor dizendo, ela sempre esteve despida. A massa populacional mais
adensada é que não enxergava o óbvio, ou então achava tudo muito natural, tipo,
“política é assim mesmo”. Graças aos céus, o cidadão brasileiro comum já
consegue perceber o efeito danoso da corrupção na péssima educação dos filhos,
no trágico serviço de saúde, na calamitosa gestão da segurança pública, na destruição
do país etc.
Aquele garotinho criado no prostíbulo encara tudo a
sua volta com naturalidade absoluta; ele passa o dia brincando aqui e ali ou se
distrai com uma coisa ou outra etc. No horário agitado de expediente ele dorme
no quartinho dos fundos. Dessa forma, a vida vai passando, passando... Somente
depois de bem crescido é que as circunstâncias se apresentam ao menino com uma
nova coloração, com um novo significado. É como se de repente a cortina caísse
revelando o cenário degradante em que vivia. Na realidade, o ambiente é o
mesmo; o que mudou foi o olhar, a percepção, o juízo da coisa.
Nós, brasileiros, estamos no meio da travessia onde
parte da cortina já despencou. Ou seja, começamos a enxergar características
asquerosas naquilo que antes tratávamos com naturalidade. E até o objeto de
observação já está incomodado com o nosso olhar de censor. Como bem disse o
Cazuza: “Transformaram o país inteiro num puteiro porque assim se ganha muito
dinheiro”. E por mais que os promotores da balbúrdia continuem tentando nos
engabelar, seus velhos e eloquentes discursos agora soam como ridículos cacoetes.
Portanto, cresce num ritmo acelerado o nojo e a repulsa do povo aos grandes
ícones da nossa classe política. Daí, a razão do fenômeno bolsonarista, cuja
fonte de exponencial crescimento esteve (ou ainda está) no desolador ambiente
de desesperança que engoliu o país. O Bolsonaro explodiu o mundo político por
causa da sua originalidade, que fez um contraste gritante com o ambiente
dominado por figuras construídas numa fábrica de marqueteiros.
Em meio à terra arrasada, em meio aos escombros da
safadeza, os candidatos bradam seus velhos e puídos discursos de sempre, onde
desfiam toscas peças de oratória na televisão, ao mesmo tempo em que manifestam
um pesado semblante demagógico. É como se o orador tivesse uma protuberante
verruga cabeluda bem na ponta do nariz. Nossa decepção e nossos espíritos
escaldados já nos permite olhar as coisas dessa forma. Por isso é que o cidadão
decente e atento aos jatos de lama que jorram do noticiário vive com o estômago
revirado em face da podridão alastrada de norte a sul do país. Resta-nos então
rezar para que muitas outras pessoas saiam da escuridão, principalmente os escravos
do assistencialismo.
Pois é. Somos o garotinho crescido, já adulto, enojado
com a casa onde fomos criados. O pior é que não temos pra onde ir; somos
obrigados a conviver com tantas mazelas e feiuras à nossa volta. Isso não
significa que o nosso destino foi selado pelos corruptos. A massa de
trabalhadores honestos não pode deixar se abater por um grupo de malfeitores
travestidos de agentes públicos. Se a podridão permanece entranhada em cada
canto e em cada fenda do universo público, temos a obrigação de promover uma
grande faxina nesse ambiente apodrecido, mesmo que o grau avançado de
degradação não aponte nenhuma esperança de que um dia possamos viver num país
civilizado. Talvez a tarefa possa não ser tão árdua. Os nossos políticos linha
dura já demonstraram uma frouxidão vexatória quando são extremamente
pressionados. Basta lembrar a radical mudança de tom do governador Geraldo
Alckmin no momento em que a população foi pra rua em junho de 2013 com uma
energia nunca imaginada.
Podemos mudar. Podemos botar toda a corja pra correr. Também, podemos exigir o efetivo funcionamento de várias instituições que só fazem de conta que trabalham. Portanto, vamos participar ativamente das reuniões de condomínio, vamos nos integrar à comunidade do nosso bairro, vamos monitorar o Portal da Transparência, vamos visitar as câmaras legislativas, vamos votar em candidatos ficha limpa. Curta e siga @doutorimposto. Outras centenas de artigos estão disponíveis no site www.next.cnt.br





