
Publicado no Jornal do Commercio dia 04 / 08 / 2026 - A517
Publicado no O Progresso dia 31 / 07 / 2026 - OP029
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No ano de 1696, o Rei Guilherme II da Inglaterra
instituiu um pavoroso imposto sobre a quantidade de janelas nas edificações. Ou
seja, quanto mais janelas, maior era o custo tributário. A resposta natural dos
proprietários foi fechar as aberturas dos imóveis com tijolos, preservando
somente a porta principal. Essa insanidade taxativa provocou uma crise de saúde
pública por falta de luz solar nos ambientes, que resultou na proliferação de
várias doenças, como tifo, cólera, tuberculose etc.; gerações inteiras foram
obrigadas a viver em casas escuras, úmidas e sem ventilação. Desse modo, quanto
mais empobrecidos eram os grupos sociais, maiores eram as doenças e as mortes
que atormentaram vastas populações durante um século e meio.
Na mesma Inglaterra de 1709, durante o reinado da
monarca Ana Bretanha, foi introduzido nas entranhas do contribuinte o imposto
sobre velas. A fabricação passou a ser permitida somente a estabelecimentos
autorizados que eram rigidamente controlados. Desse modo, qualquer produção
caseira sofria punições rigorosas. A extorsiva cobrança do fisco inglês tornou
a iluminação proibitiva aos menos abastados, que eram forçados a viver na
escuridão. A saída que muita gente encontrou para enxergar alguma coisa foi
recorrer ao “rushlights”, uma tocha feita de junco mergulhado em sebo animal. O
resultado era péssimo, com pouca luminosidade, muita fumaça e mau cheiro que
impregnava o ambiente e acabava com a saúde. Os pobres viviam num mundo
sombrio, gorduroso e fétido.
Em 1712, a mesma Ana Bretanha decidiu taxar o sabão, lançando assim uma guerra
de 141 anos contra a higiene. A tributação era tão sufocante que um item de uso
banal se transformou num luxo guardado a sete chaves. O desvario impiedoso do exator
produziu impactos violentos e devastadores na sociedade inglesa. As pessoas
lançaram mão de substitutos com péssima qualidade obtidos no mercado negro;
geralmente malcheirosos e prejudiciais à saúde. Os auditores fiscais da época
invadiam casas em busca de fabricação artesanal. Aos infratores, claro, eram aplicadas
punições severas para assim desencorajar a prática de crimes contra a ordem
tributária. Os auditores bradavam aos quatro ventos que todo empreendedor era
bandido.
A população inglesa de séculos passados classificava
os auditores fiscais como extorsionários corruptos e parasitas repulsivos;
também chamava de ladrões, tiranos e outros adjetivos condizentes. O cobrador
de impostos era antes de tudo um psicopata carniceiro. A pessoa deveria ser
desprovida de piedade, remorso, empatia ou qualquer traço de humanidade. Sadismo
e frieza pesavam sobremaneira na montagem do perfil que definia o auditor perfeito.
Esse agente fazendário invadia a propriedade do criador de ovelhas com soldados
armados até os dentes. Ele se investia de autoridade para intimidar, ameaçar,
extorquir, saquear e arrancar as tripas de quem fizesse qualquer tipo de
questionamento. Essa alegoria atravessa os séculos, como efigie ou arquétipo. Isto
é, como uma imagem consolidada no imaginário coletivo. Ou ainda como uma
assombração que perturba o sono de quem trabalha duro pra sustentar corruptos e
vagabundos.
Atrocidades espantam quando vistas de longe. Ou seja,
tudo é normalizado quando fatos tenebrosos integram nosso cotidiano. Por
exemplo, no futuro, a taxação do trabalho brasileiro poderá ser classificada
como mais uma barbaridade histórica. Por exemplo, qual será a reação daqui a
cem anos quando alguém souber que o trabalho dum empregado paga duas taxações
de INSS, sendo uma de 20% e outra de 14%? O trabalho desse empregado paga ainda
Sesi, Sebrae, Senai, Sesc, Senac, Incra, Salário Educação, Taxa de Risco
Ambiental, Imposto de Renda. Dias atrás, um telejornal mostrou filas gigantescas
de pessoas na frente de sindicatos para evitar desconto de Contribuição
Assistencial. A contestação deve ser de próprio punho na frente do funcionário
do sindicato, que chega tarde e vai embora cedo, fazendo com que muita gente
desista da contestação. É bom lembrar que depois disso tudo, metade do pouco
que sobra no bolso do trabalhador é confiscada pelos tributos sobre consumo. E
ainda tem imposto sobre patrimônio, doação e despojos de pessoa falecida etc. Curta
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