segunda-feira, 3 de agosto de 2026

ABUSOS TRIBUTÁRIOS ONTEM E HOJE

 



Reginaldo de Oliveira
Publicado no Jornal do Commercio  dia  04 / 08 / 2026 - A517
Publicado no O Progresso  dia  31 / 07 / 2026 - OP029
Artigos publicados 





No ano de 1696, o Rei Guilherme II da Inglaterra instituiu um pavoroso imposto sobre a quantidade de janelas nas edificações. Ou seja, quanto mais janelas, maior era o custo tributário. A resposta natural dos proprietários foi fechar as aberturas dos imóveis com tijolos, preservando somente a porta principal. Essa insanidade taxativa provocou uma crise de saúde pública por falta de luz solar nos ambientes, que resultou na proliferação de várias doenças, como tifo, cólera, tuberculose etc.; gerações inteiras foram obrigadas a viver em casas escuras, úmidas e sem ventilação. Desse modo, quanto mais empobrecidos eram os grupos sociais, maiores eram as doenças e as mortes que atormentaram vastas populações durante um século e meio.

 

Na mesma Inglaterra de 1709, durante o reinado da monarca Ana Bretanha, foi introduzido nas entranhas do contribuinte o imposto sobre velas. A fabricação passou a ser permitida somente a estabelecimentos autorizados que eram rigidamente controlados. Desse modo, qualquer produção caseira sofria punições rigorosas. A extorsiva cobrança do fisco inglês tornou a iluminação proibitiva aos menos abastados, que eram forçados a viver na escuridão. A saída que muita gente encontrou para enxergar alguma coisa foi recorrer ao “rushlights”, uma tocha feita de junco mergulhado em sebo animal. O resultado era péssimo, com pouca luminosidade, muita fumaça e mau cheiro que impregnava o ambiente e acabava com a saúde. Os pobres viviam num mundo sombrio, gorduroso e fétido.  


Em 1712, a mesma Ana Bretanha decidiu taxar o sabão, lançando assim uma guerra de 141 anos contra a higiene. A tributação era tão sufocante que um item de uso banal se transformou num luxo guardado a sete chaves. O desvario impiedoso do exator produziu impactos violentos e devastadores na sociedade inglesa. As pessoas lançaram mão de substitutos com péssima qualidade obtidos no mercado negro; geralmente malcheirosos e prejudiciais à saúde. Os auditores fiscais da época invadiam casas em busca de fabricação artesanal. Aos infratores, claro, eram aplicadas punições severas para assim desencorajar a prática de crimes contra a ordem tributária. Os auditores bradavam aos quatro ventos que todo empreendedor era bandido.

 

A população inglesa de séculos passados classificava os auditores fiscais como extorsionários corruptos e parasitas repulsivos; também chamava de ladrões, tiranos e outros adjetivos condizentes. O cobrador de impostos era antes de tudo um psicopata carniceiro. A pessoa deveria ser desprovida de piedade, remorso, empatia ou qualquer traço de humanidade. Sadismo e frieza pesavam sobremaneira na montagem do perfil que definia o auditor perfeito. Esse agente fazendário invadia a propriedade do criador de ovelhas com soldados armados até os dentes. Ele se investia de autoridade para intimidar, ameaçar, extorquir, saquear e arrancar as tripas de quem fizesse qualquer tipo de questionamento. Essa alegoria atravessa os séculos, como efigie ou arquétipo. Isto é, como uma imagem consolidada no imaginário coletivo. Ou ainda como uma assombração que perturba o sono de quem trabalha duro pra sustentar corruptos e vagabundos.    

 

Atrocidades espantam quando vistas de longe. Ou seja, tudo é normalizado quando fatos tenebrosos integram nosso cotidiano. Por exemplo, no futuro, a taxação do trabalho brasileiro poderá ser classificada como mais uma barbaridade histórica. Por exemplo, qual será a reação daqui a cem anos quando alguém souber que o trabalho dum empregado paga duas taxações de INSS, sendo uma de 20% e outra de 14%? O trabalho desse empregado paga ainda Sesi, Sebrae, Senai, Sesc, Senac, Incra, Salário Educação, Taxa de Risco Ambiental, Imposto de Renda. Dias atrás, um telejornal mostrou filas gigantescas de pessoas na frente de sindicatos para evitar desconto de Contribuição Assistencial. A contestação deve ser de próprio punho na frente do funcionário do sindicato, que chega tarde e vai embora cedo, fazendo com que muita gente desista da contestação. É bom lembrar que depois disso tudo, metade do pouco que sobra no bolso do trabalhador é confiscada pelos tributos sobre consumo. E ainda tem imposto sobre patrimônio, doação e despojos de pessoa falecida etc. Curta e siga @doutorimposto. Outras centenas de artigos estão disponíveis no site www.next.cnt.br.

 

A complexidade tributária da nossa região gera muitos prejuízos para empresas que desconhecem suas peculiaridades. Os problemas acontecem em vários momentos: iniciando nas compras, passando por classificações distorcidas e desembocando em atropelos recorrentes. Distribuidoras e supermercados se destacam nesse ambiente insalubre. Nossos treinamentos entregam informações estratégicas e neutralizadoras de muitos problemas fiscais. Fale conosco. 92 zap 9256 1502.




























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