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terça-feira, 30 de junho de 2020
Treinamento ICMS básico & substituição tributária
Sou Contador e Professor do Ensino Superior. Sou apaixonado pela desconstrução das interpretações do mundo.
Esse blog é dedicado aos meus artigos publicados no Jornal do Commercio e na Revista Editor Fiscal.
sábado, 27 de junho de 2020
É HORA DE ACABAR COM A FARRA DOS GABINETES
Leandro Narloch
Revista Crusoé https://crusoe.com.br/
Escândalos de corrupção de vez em quando motivam boas mudanças institucionais. O cerco da Lava Jato ao petrolão rompeu o ciclo de políticos que corrompiam empresas que, por sua vez, corrompiam políticos. Pôs na pauta a proibição de financiamento eleitoral por pessoas jurídicas, o que fez despencar o custo das campanhas políticas no Brasil.
Agora, o escândalo das rachadinhas do gabinete de Flávio Bolsonaro deu a país a oportunidade de uma nova mudança institucional. A oportunidade de acabar de vez com a farra das verbas de gabinetes de vereadores, deputados e senadores; de deixarmos de ser tolerantes com essa corrupção presente em todo parlamento brasileiro.
Os números são uma loucura. O leitor deve conhece-los, mas não é demais lembrar. A Assembleia Estadual do Rio de Janeiro (Alerj) custa 1,3 bilhão de reais por ano. É quase o valor do repasse do Bolsa Família naquele estado (1,5 bilhão de reais). É mais que o dobro do orçamento do maior hospital público fluminense, o de Bonsucesso.
A Assembleia de São Paulo sai mais ou menos pelo mesmo preço. Equivale a 70% do orçamento do Hospital das Clínicas da USP, que é simplesmente o maior complexo hospitalar da América Latina. O maior complexo hospitalar da América Latina!!
Para comparação, veja o caso do estado de Nova York. Sua economia tem o tamanho da do Brasil inteiro – 1,8 trilhão de dólares. Sua assembleia, com 150 deputados estaduais, custa 228 milhões de dólares. Mesmo com o dólar a estratosféricos 5,30 reais, sai 100 milhões de reais mais barato que a do Rio de Janeiro – que tem um décimo do PIB de Nova York. No valor está incluído o custo de 63 senadores estaduais nova-iorquinos.
E ainda nem estamos falando da assembleia legislativa mais cara do país, a de Minas Gerais, que custa 1,6 bilhão de reais por ano; mais que a de São Paulo, estado com o dobro da população.
Os deputados arranjam os jeitos mais criativos para se apoderar dessas fortunas. Superfaturam aluguel de carro, combustível, gráficas, combinam devolução de salários de funcionários fantasmas etc. No ano passado, cinco deputados do Distrito Federal (menor unidade da federação) gastaram com combustível o suficiente para dar oito voltas ao redor da Terra.
Mesmo concordando com a afirmação, bastante duvidosa, de que os deputados estaduais servem para alguma coisa, é razoável acreditar que as assembleias poderiam custar bem menos. A metade, dois terços menos. Oitenta por cento menos etc. A Assembleia de São Paulo aprovou corte de 30% de salários durante a pandemia: as comissões seguem normalmente discutindo leis sem importância.
No total, sem contar as câmaras de vereadores, o Congresso e as assembleias estaduais custam 23 bilhões de reais por ano. Se esse valor cair pela metade, teremos uma economia anual equivalente a mais de duas vezes o que a Operação Lava Jato recuperou.
Flávio Bolsonaro é um entre muitos, um entre milhares que devem ser punidos por esse crime. Que sirva de exemplo de uma tradição que precisa acabar no Brasil.
Sou Contador e Professor do Ensino Superior. Sou apaixonado pela desconstrução das interpretações do mundo.
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terça-feira, 23 de junho de 2020
O diabo mora nos detalhes tributários
Reginaldo de Oliveira
Publicado no Jornal do Commercio dia 23 / 06 / 2020 - A403
Artigos publicados
O ímpeto empreendedorístico costuma ser mais forte que a prudência. Daí, a razão de tantos atropelos no ambiente de negócios. Por isso, é sempre bom lembrar que as questões tributárias estão pautando todas as ações empresariais, significando assim que cada passo e cada decisão deve considerar o peso normativo duma legislação cheia de armadilhas traiçoeiras. Como todos sabem, o Brasil é o pior lugar do mundo para se fazer negócios e os empresários brasileiros são acima de tudo sobreviventes da voracidade tributária, dos achaques, das perseguições e da concorrência desleal promovida por incentivos fiscais seletivos que desequilibram as condições de competitividade. Para piorar o chafurdo lamacento, temos 27 brasis no mesmo território brasileiro, já que cada Estado estabelece regras próprias de ICMS, o que tolhe o desenvolvimento regional e desencoraja qualquer ideia de expansão. A morte cerca qualquer um que tente romper a casca territorial, uma vez que as armadilhas tributárias são diferentes entre Estados e também entre municípios. Não é raro, uma empresa crescer numa localidade e depois quebrar após um processo de expansão territorial precipitado.
O ímpeto empreendedorístico costuma ser mais forte que a prudência. Daí, a razão de tantos atropelos no ambiente de negócios. Por isso, é sempre bom lembrar que as questões tributárias estão pautando todas as ações empresariais, significando assim que cada passo e cada decisão deve considerar o peso normativo duma legislação cheia de armadilhas traiçoeiras. Como todos sabem, o Brasil é o pior lugar do mundo para se fazer negócios e os empresários brasileiros são acima de tudo sobreviventes da voracidade tributária, dos achaques, das perseguições e da concorrência desleal promovida por incentivos fiscais seletivos que desequilibram as condições de competitividade. Para piorar o chafurdo lamacento, temos 27 brasis no mesmo território brasileiro, já que cada Estado estabelece regras próprias de ICMS, o que tolhe o desenvolvimento regional e desencoraja qualquer ideia de expansão. A morte cerca qualquer um que tente romper a casca territorial, uma vez que as armadilhas tributárias são diferentes entre Estados e também entre municípios. Não é raro, uma empresa crescer numa localidade e depois quebrar após um processo de expansão territorial precipitado.
Há
um caso surreal relatado pelo empresário e deputado Alexis Fonteyne, que é
proprietário de uma indústria química em Sumaré. Ele comenta num vídeo que sua
atividade é amparada por um grande volume de licenças governamentais e pela rigorosa
observância da legislação tributária. Até o preço do produto informado ao
cliente depende da destinação do produto (insumo, consumo, comercialização), e
também se a operação é interna ou interestadual. Pesa ainda a qualificação do
adquirente, uma vez que isso é fundamental nas diversas tributações duma mesma
operação. Toda essa investigação preliminar define o preço de venda. Vencida a
primeira etapa, seguem os cuidados na emissão da nota fiscal, já que os
produtos podem ser normais, substituição tributária; estarem sujeitos a
diferencial de alíquota ou ao fundo de combate a pobreza; e ainda pode haver
redução de base de cálculo, isenções etc. A maratona ainda não acabou. Agora,
vem uma avalanche de normas tributárias aplicáveis ao frete da mercadoria, além
de normatizações técnicas vinculadas ao tipo de material transportado
(sinalizações, licenças, selos, fichas técnicas etc). Pois bem. Mesmo com pleno
domínio de tantos detalhamentos, a empresa foi surpreendida por um auto de infração
quando o caminhão atravessava o município de São Paulo. O destino final era a cidade
do Rio de Janeiro. A razão da multa foi a falta do LTPP municipal (Licença de
Transporte de Produto Perigoso). O senhor Alexis pondera que se efetuasse uma
venda para Fortaleza, ele teria que fazer uma ampla investigação de cada
município ao longo do itinerário da carga para verificar a necessidade de
emissão de licenças municipais.
Pois
bem. Além do colossal volume, temos ainda o crônico e anacrônico subjetivismo daninho
que permeia o sistema normativo por inteiro. Esse fator incontestável e ostensivo
se mantém inabalável porque suporta um vasto e ultra capilarizado esquema de
corrupção. Se nada do que está escrito tem clareza, então acaba valendo a
opinião do agente público (opinião é a lei). Mesmo porque, a validade de tudo é
discutida no STF. Tudo vai para o STF. Pisamos em ovos o tempo todo porque a
insegurança jurídica gruda no corpo empresarial como uma praga de carrapatos.
Desse
modo, a atenção aos detalhes deve estar na ordem do dia. Sempre. E a todo
momento. Um único deslize, e a lucratividade do mês vai para o ralo. O espectro
da Sefaz e de outras entidades sobrenaturais assombram o espírito de quem
produz a riqueza desse país. Para mitigação de riscos, portanto, resta apostar num
programa intenso e constante de capacitação profissional.
Nosso
cáustico ambiente empurra os dirigentes empresariais para o terreno da
burocracia normativa, onde os mais atentos se veem obrigados a estudar
profundamente o sistema tributário, como fez o empresário Alexis Fonteyne, e
muitos outros que seguiram o mesmo caminho. É a velha história: a necessidade
faz o sapo pular. Curta e siga @doutorimposto
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terça-feira, 16 de junho de 2020
O PRÊMIO DA OUSADIA CONTÁBIL
Reginaldo de Oliveira
Publicado no Jornal do Commercio dia 16 / 06 / 2020 - A402
A
senhora Maria da Rocha é uma profissional eternamente insatisfeita com a qualidade
dos serviços prestados pela sua firma de assessoria contábil e empresarial. Sua
vida inteira de trabalho é marcada pela incessante busca das melhores práticas
operacionais que possam conferir altos níveis de conformidade legal, além de
agilidade e suporte às variadas demandas dos clientes. O objetivo é sempre
estar um passo à frente em termos de avanço tecnológico relacionado às
ferramentas de produtividade disponíveis no mercado de informática e de consultoria
especializada. Tal dinâmica comportamental estimula sua equipe de trabalho e
também fomenta esforços crescentes para acompanhar o ritmo imposto por uma
cultura de alta performance. Claro, obvio, isso não é fácil de jeito nenhum. Ainda
mais num país que prepara muito mal os ingressantes no mercado de trabalho.
Mesmo porque, sabemos todos nós o quão improdutivo é o ambiente acadêmico das
nossas instituições de ensino, onde, na prática, pode-se observar que o egresso
sai desorientado da cerimônia de formatura, como num parto desastrado envolvendo
a queda da criança.
Mesmo
com todas as dificuldades de perfil profissional, a contadora Maria utilizou
seu faro técnico para identificar talentos aptos ao grande desafio imposto pela
sua visão tecnológica de serviços contábeis. Parece que ela estava enxergando o
futuro, uma vez que há vários anos tem se desdobrado na luta pela implantação
de ferramentas avançadas de gestão contábil, as quais, agora, estão fazendo a
diferença na performance da equipe e também na manutenção da qualidade e do
ritmo, que não reduziram em nenhum momento. A pandemia do novo coronavírus, no
entanto, provocou uma mudança radical, mas uma mudança já ensaiada.
Logo
no início da quarentena, a senhora Maria substituiu a condução dos funcionários
(de ônibus para Uber). E não demorou muito para que sua grande equipe fosse
toda colocada em home office, fechando assim o escritório físico por completo. Todos
passaram a trabalhar de casa – até mesmo a própria Maria. A adaptação não foi difícil
e os funcionários não enxergaram o estar em casa como fomentador da
indisciplina. A equipe mantém o desempenho operacional, já que diversas
ferramentas tecnológicas congregam os esforços num ambiente virtual que permite
interação e trabalho colaborativo. Essa experiência está funcionando tão bem
que o retorno ao estabelecimento físico do escritório não vai se basear em
autorização legal, e sim, na percepção de segurança epidemiológica. Inclusive,
é possível que algumas atividades fiquem definitivamente em home office.
Em
meio a tantos esforços adaptativos, a grande luta está no hábito do cliente de
manter contato pessoal. O cliente tem dificuldade de lidar com a ideia do fluxo
de informação eletrônico. Na verdade, esse fluxo já estava ocorrendo antes da
pandemia, visto que os processamentos vinham sendo baseados em documentação
eletrônica. Inclusive, essa era e ainda é a obsessão da senhora Maria, que é
justamente se afastar do papel e se aproximar o máximo possível das transações
eletrônicas. E isso só acontece com muito investimento em treinamento pesado em
cima de ferramentas tecnológicas: tanto no escritório contábil quanto nas
dependências do cliente.
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domingo, 10 de maio de 2020
ESTRUTURA TITÂNICA INABALÁVEL
Reginaldo de Oliveira
Publicado no Jornal do Commercio dia 12 / 05 / 2020 - A401
O
diretor duma grande empresa acumulava prêmios e gratificações que lhe permitia atender
aos caprichos extravagantes do filho único que começava a crescer no campeonato
de kart. Além desse hobby caro, havia também gastos com nutricionista, academia,
eventos, viagens e marketing. Tinha ainda o clube, festas, restaurantes, roupas
caras etc. Tudo seguia mais ou menos sob controle até que um escândalo judicial
na empresa comprometeu as finanças do agora ex-diretor. A bela e espaçosa mansão
acabou substituída por um apartamento médio. A mudança foi sofrida, uma vez que
muitos hábitos requintados ficaram para trás; a nova realidade impôs um novo
estilo de vida. Mas uma coisa não mudou. O filho não abria mão da boa vida que levava
e ainda culpava o pai pelo rebuliço familiar. O genitor, orgulhoso e obcecado, continuou
alimentando os caprichos do bonitão folgado. Não demorou muito para minguarem os
recursos já limitados. A saída então foi apelar para empréstimos volumosos e arriscados.
Essa decisão absolutamente descompensada tirava o sono e a saúde do pai, ao mesmo
tempo que o filho seguia sua vida luxuosa totalmente desconectado da realidade.
Os amigos da família ficavam na expectativa para saber até onde pai aguentaria
toda aquela situação de absoluto suicídio financeiro.
Vivemos
um momento surreal no Brasil, uma espécie de enfermidade bipolar, onde um lado
da nossa realidade social e econômica segue desmoronando como num castelo de cartas.
Enquanto o barco privado afunda, temos um setor público completamente alheio
aos eventos catastróficos provocados pela Covid19. A pandemia foi rápida e
devastadora, não permitindo nenhuma reação. Daí, que a maioria absoluta de CNPJ
caiu atordoada, onde grande parte já decidiu pelo fim da carreira empresarial. Os
empregadores falidos tentarão salvar o pouco que restou e assim aguardar o cenário
pós-apocalíptico para tomar decisões apropriadas. Por outro lado, seus empregados
foram (e serão) demitidos aos milhões, gerando uma massa de zumbis
desorientados que estão sendo momentaneamente contidos pelo auxílio emergencial
do governo. Passadas as três parcelas da ajuda, o país será solapado por uma
onda de fome e desespero, já que a atividade econômica, como dizem alguns
especialistas, poderá levar até dez anos para se recompor.
Na
contramão desse quadro apocalíptico, o setor público continua firme na gastança
e no superfaturamento de respiradores (como sempre). As despesas com lagostas, fundo
eleitoral e cartões corporativos são jogadas na cara dos desgraçados pela
pandemia. Pior ainda, são os supersalários que extrapolam o teto constitucional.
E ainda somos obrigados a engolir uma legião de caríssimos funcionários
públicos que exercem funções absolutamente decorativas, como assessores parlamentares,
apadrinhados políticos e funcionários fantasmas. A máquina pública continua
cara e ineficiente. A burocracia normativa segue aterrorizando o cidadão
empreendedor e a corrupção se mantém inquebrantável pelo apoio de decisões
escandalosas do sistema judiciário. Tudo isso mostra que a bagunça institucional
e administrativa continua resistente a qualquer tempestade ou cataclismo.
Ao
que parece, e até o momento, o desastre provocado pela Covid19 não conseguiu
sequer arranhar a estrutura titânica da máquina pública, que está articulando um
monumental endividamento para garantir a execução orçamentária. Ao contrário do
setor privado que vem se adaptando à falta de dinheiro, o setor público não
abre mão de absolutamente nada: nem das lagostas nem dos cartões corporativos
nem do fundo eleitoral nem dos vinhos premiados nem dos supersalários nem do
inchaço de pessoal. Tal qual o pai suicida, a indagação que fica é a seguinte: Até
quando o setor privado vai continuar pagando a conta sem ter dinheiro?
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segunda-feira, 4 de maio de 2020
A corrupção é uma obra conjunta
Reginaldo de Oliveira
Publicado no Jornal do Commercio dia 05 / 05 / 2020 - A400
No
período ufanista que antecedeu a copa do mundo ocorreram diversas reuniões para
apresentação do projeto de construção da Arena da Amazônia. Vários e ilustres
representantes da sociedade manauara depositaram irrestrito apoio a tudo que envolvia
o assunto. E foram muitas e muitas pessoas. Um ou outro espectador se espantava
com o perigo de jogar bilhões de reais num elefante branco totalmente embrulhado
em múltiplas camadas de suspeições. As reuniões, na verdade, eram celebrações
da roubalheira desenfreada que iria explodir na forma de muito dinheiro endereçado
ao bolso da panelinha. Os olhos dos participantes brilhavam com a possibilidade
de tirar proveito daquele momento mágico de plena simbiose do público com o
privado. A orgia retórica provocava um clima de excitação generalizada.
Na
sequência dos delírios esfuziantes de alguns poucos jogos, veio a impactante
ressaca do rombo fiscal temperada com infinitas denúncias de superfaturamento. Por
todo o país, a farra com o dinheiro dos impostos saltava aos olhos – projetos
desastrosos de obras faraônicas, ao mesmo tempo em que áreas prioritárias
agonizavam por falta de verbas: hospitais lotados, transporte público
colapsado, segurança pública falida, sistema penitenciário em frangalhos, índices
educacionais vergonhosos etc. (muitos etc). Mesmo assim, a classe dominante
apagava a luz para não ver a bagunça, e o sistema midiático fazia denúncias de
mentirinha para vender jornal. O fato é que, na verdade, os grupos aristocráticos
envolvidos incestuosamente com o poder público seguiram catalisando os
escândalos até que seu estado de acomodação ficasse inerte. É a velha história:
Lá, em cima, tudo se ajeita (o executivo com o legislativo com o judiciário com
a mídia com os empreiteiros com os banqueiros e demais figuras pitorescas).
A
corrupção é uma obra conjunta, feita por muitas mãos. O político corrupto nunca
trabalha sozinho e a corrupção não floresce numa sociedade honesta. O terreno
das ignomínias é ricamente adubado pelos interesses particulares. A corrupção notória,
portanto, é a ponta do iceberg; submerso, reside uma vastíssima rede de apoio
sustentada por figuras honoráveis e insuspeitadas duma elite mascarada. Vez por
outra, alguns pedaços emergem, como Odebrecht ou JBS. Tudo seguia o seu curso
normal até que o Covid19 quebrou esse iceberg. Foi a mesma coisa que jogar
titica no ventilador.
Quando,
historicamente, os pobres morriam sem atendimento hospitalar, os ricos faziam
cara de paisagem. Também, as autoridades legalmente constituídas sempre
ignoraram o sofrimento dos trabalhadores espremidos nos ônibus sucateados. Pior
ainda, era o eterno descaso com a falta d'água nas residências
mais simples. Para encaroçar esse angu de injustiças sociais, o Brasil está no
topo dos países com maior concentração de renda, com impostos altíssimos no
salário e no consumo. O resultado dessa matemática espoliativa é um povo rude e
empobrecido.
Agora, o Covid19 despeja tais mazelas na casa-grande,
como numa revolta da natureza, uma espécie de Lei do Retorno. Enquanto o pobre
se arrombava, boa parte da classe mais favorecida achava que tudo estava bem
demais. Pois é. Uma chuva de pragas desabou no topo da pirâmide; pessoas endinheiradas
caíram aos montes com pulmões fulminados. E a culpa é da plebe rude. O rico presunçoso
fica revoltado com as aglomerações na frente da Caixa Econômica e mais ainda
com os ônibus lotados. Esse rico fica indignado com o pobre favelado que não
lava as mãos (cadê a água?). A madame não acredita que uma pessoa não possa ter
dinheiro para comprar álcool em gel ou máscaras de proteção. Ela acha um
absurdo, ver o pipoqueiro violando o isolamento social.
O pobre, portanto, é o grande propagador da epidemia que acaba matando não somente o próprio pobre acostumado com desgraças, mas também o magnata do condomínio esterilizado. O agravamento do número de infectados vai matar principalmente um vasto número de ricos patrimônios, com repercussão direta no desemprego. Se os pobres tivessem mais condições sanitárias e financeiras; se tivessem mais saúde, mais escolaridade, o patrimônio e a vida dos ricos seriam menos prejudicados. Curta e siga @doutorimposto
O pobre, portanto, é o grande propagador da epidemia que acaba matando não somente o próprio pobre acostumado com desgraças, mas também o magnata do condomínio esterilizado. O agravamento do número de infectados vai matar principalmente um vasto número de ricos patrimônios, com repercussão direta no desemprego. Se os pobres tivessem mais condições sanitárias e financeiras; se tivessem mais saúde, mais escolaridade, o patrimônio e a vida dos ricos seriam menos prejudicados. Curta e siga @doutorimposto
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