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terça-feira, 22 de outubro de 2019
TREINAMENTO ICMS básico & substituição tributária
Sou Contador e Professor do Ensino Superior. Sou apaixonado pela desconstrução das interpretações do mundo.
Esse blog é dedicado aos meus artigos publicados no Jornal do Commercio e na Revista Editor Fiscal.
segunda-feira, 14 de outubro de 2019
MÁQUINA DE PERPETUAR DESIGUALDADES
Reginaldo de Oliveira
Publicado no Jornal do Commercio dia 15 / 10 / 2019 - A377
O polêmico assunto envolvendo o ingresso do Brasil na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico ilustra de forma indelével o espírito matreiro dum povo viciado na manha do jeitinho. Estamos falando duma nação que não fez o dever de casa e mesmo assim insiste na pretensão de integrar o clube dos ricos. Tal situação lembra bem aquele aluno que vai para a faculdade, não para estudar, e sim, para obter o diploma. Na televisão, observa-se filas e filas de desempregados, onde muitos deles mal sabem se expressar minimamente, apesar de tantos recursos de aprendizagem disponíveis em plataformas de fácil acesso, como o próprio smartphone.
Pois
é. A característica mais acentuada e a que mais nos distancia da OCDE é a nossa
brutal desigualdade social, a qual está intimamente vinculada à opção pelo modelo
regressivo de tributação. A sociedade brasileira é empobrecida pela esmagadora carga
de impostos escondida nos produtos que consumimos diariamente; principalmente,
alimentos básicos. O trabalhador recebe líquido somente 60% daquilo que é gasto
pelo seu empregador e depois tem metade da sua renda abocanhada pelos impostos
indiretos, sobrando assim uma ínfima quantia para construção de algum
patrimônio. O resultado desse perverso regime semi-escravocrata é traduzido num
potencial de consumo sufocado pela desigualdade social.
Interessante,
é que as propostas de reforma tributária em debate no Congresso Nacional são
focadas única e exclusivamente na intensificação da regressividade, onde, por
exemplo, a PEC45 quer aumentar o imposto sobre serviço de 5% para 25%. O
ministro Paulo Guedes só fala em redução do imposto de renda. Conclui-se então
que todas as forças se unem para aumentar a regressividade e diminuir a progressividade.
E é com essa deformação jurídico social que o Brasil quer por que quer entrar
na OCDE, onde a carga média do imposto de renda é de 37% e o peso dos tributos
sobre consumo é de 25%. No Brasil acontece exatamente o contrário: o percentual
de tributação sobre a renda é de 18% enquanto que o consumo responde por 51% do
bolo arrecadatório. Ou seja, os números falam por si, não deixando margem para
qualquer divagação tecnicista ou filosófica que tente justificar o nosso
regressivo e perverso modelo tributário.
Quem
está por trás da PEC45 é um conglomerado de grandes empresas patrocinadoras do
projeto legislativo que não quer pagar imposto de renda. Por isso, comprou a
reputação de renomados tributaristas para defenderem a renda e o patrimônio dos
ricos. Curiosamente, essas grandes empresas querem vender para uma população que
não tem dinheiro pra gastar. Mais curioso ainda é tentar entender o que pensam
os magnatas que insistem num modelo regressivo que mata a capacidade de consumo
da massa populacional. Os EUA, por exemplo, são pujantes economicamente por
causa do intenso consumo das famílias que podem comprar muito porque os
produtos são minimamente tributados. E para dinamizar mais ainda o ambiente
econômico, as fábricas e os distribuidores estão completamente livres de
qualquer tipo de imposto indireto, ficando somente o varejista responsável pela
retenção e o repasse do imposto ao erário, num processo onde não se perde tempo
com apuração de imposto. Isto é, tudo é simples, rápido, claro e eficiente.
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terça-feira, 1 de outubro de 2019
Os impostos e a escravidão moderna
Reginaldo de Oliveira
Publicado no Jornal do Commercio dia 1 / 10 / 2019 - A376
Homenagens
e reverências às figuras ilustres duma comunidade são práticas tão antigas
quanto o próprio homem. Aos mais fortes e valentes eram oferecidos tributos na
forma de presentes. Tais honrarias atravessaram os milênios até os tempos atuais.
Ou seja, era tributo ao chefe guerreiro, ao faraó, ao rei e ao Estado. Os
tributos passaram a ser impostos por meio da força das armas, onde o povo
dominado era explorado até que se esvaíssem todas as suas energias. Prevalecia
a velha retórica do dominador para seus escravos: “quero o meu peso em ouro”. O
tributo deixa de ser voluntário e passa a ser imposição. A relação do povo
dominante com o dominado é estabelecida. Civilizações inteiras se ergueram
sobre o sangue dos conquistados. Muitas cabeças rolaram enquanto só a força era
a lei. Os povos conquistados eram escravizados enquanto a luxúria e abundância
se contrapunha à miséria e a fome. O Estado se fortalecia. A Cesar o que é de
Cesar; ao povo pão e circo. Para os césares era tudo; ao povo, nada.
No
período feudal, os escravos passaram a ser chamados de servos. Agora, se
produzia para o senhor feudal. Tudo que brotava da terra era taxado; tinha que
ser dado aos nobres. Em cada condado da Inglaterra havia um agente do rei que
usava as armas e a força para saquear os vassalos com altas taxas. O rei tinha
poder absoluto. A França de Luiz XIV taxava os pobres e não os ricos. Sustentar
o rei foi penoso demais. O povo francês e não os nobres é que pagavam impostos
ao rei. O mercantilismo deu poder ao Estado e legitimação divina ao rei. O
Estado não encarnava o bem comum. Os serviços eram usufruídos somente pelo rei.
O povo francês tinha seus direitos limitados pelo rei. Dessa forma, toda uma
nação se ergueu contra a exploração. Foi então que cabeças começaram a rolar
para que nascesse a primeira declaração dos direitos humanos. O feudalismo
estava morto na Europa ocidental. O texto acima foi obtido no canal Gefe-SP (youtube).
Como
se pode observar até aqui, nada mudou, apesar dos supostos avanços civilizatórios.
Pelo menos, no Brasil, onde trabalhamos metade do ano somente para pagar
imposto. O feudalismo continua vivo por aqui.
A
alma do nosso país é marcada pelo incurável vício do jeitinho, da esperteza. Isso
fica patente na forma como a classe dominante se vale de artimanhas mil para jogar
todo o peso tributário nas costas dos pobres miseráveis. O Brasil, ao contrário
dos países de alto grau civilizatório, não taxa os dividendos sob argumento de
que a carga do imposto de renda da pessoa jurídica é alta demais. De fato, 34% é
mesmo pesado. O problema é que poucas empresas suportam esse fardo completo. As
grandes empresas são entupidas de incentivos fiscais para pagar pouco imposto
de renda. Por exemplo, as indústrias incentivadas da ZFM pagam menos da metade
por causa da redução SUDAM de 75%. As empresas do Lucro Presumido e do Simples Nacional
também não são atingidas pela carga de 34%. Um estudo da Professora Maria
Helena Zockun aponta que os mais altos rendimentos do país são tributados com
alíquota efetiva de apenas 7% (IR) enquanto boa parte da classe assalariada
paga 27,5%.
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segunda-feira, 16 de setembro de 2019
REFORMA PARA AUMENTAR IMPOSTO
Reginaldo de Oliveira
Publicado no Jornal do Commercio dia 17 / 9 / 2019 - A375
A
bola da vez é a reforma tributária. A profusão de especialistas no assunto
explode nos canais midiáticos, com análises técnicas jorrando aos borbotões em
eventos, congressos, reuniões etc. Em meio a tantas explicações sobre as
propostas tramitando no congresso nacional pode-se observar muito claramente que
a intenção latente nos bastidores é de puro aumento da carga tributária. Outra característica
pulsante que se destaca nas discussões está no esforço titânico para proteger a
renda e o patrimônio dos ricos. Ou seja, tudo converge para a intensificação da
regressividade e para o aumento da nossa burocracia que hoje já é a pior do
mundo.
A
PEC45, por exemplo, ignorou descaradamente qualquer menção ao imposto de renda;
seu grande objetivo é majorar a taxação dos serviços em 400%. Ou seja, o autor
da proposta, Bernard Appy, quer aumentar o ISS de 5% para 25%. E também quer
transformar o ISS num tributo não-cumulativo. Sabemos todos nós que o sistema da
não cumulatividade brasileira é uma desgraça satânica que fomenta a sonegação e
a corrupção de agentes públicos, bem como tudo quanto é tipo de artimanha para fugir
da tributação. Isso acontece porque nossa legislação é uma promotora de desvios
de conduta por conter os ingredientes perfeitos que impulsiona a indústria do
contencioso fiscal ou então a sonegação pura e simples. Por outro lado, na visão
do poder executivo, reforma tributária é simplesmente ressuscitação da CPMF. Só
isso.
Para
piorar o nosso ambiente burocrático, a PEC45 estabelece um período de dez anos para
a transição dum modelo para o outro, significando assim que a burocracia vai
aumentar em vez de diminuir, porque teremos que administrar dois sistemas que
caminharão em paralelo. A PEC45 estipula 50 anos para a completa transição do
imposto para o destino. Obviamente, que tudo isso é de uma insanidade sem
tamanho. Quem hoje vai se sacrificar para colher os frutos daqui a 50 anos? É
melhor plantar tâmaras, que precisam de 20 anos para gerar frutos. Tem mais uma.
Como disse John Keynes, a longo prazo estaremos todos mortos.
Curiosamente,
ninguém propõe um escalonamento de cortes nas normas burocráticas. Essa
desburocratização poderia acontecer pela convergência de regras num único
dispositivo para evitar que o contribuinte tenha que pesquisar um assunto em
legislações dispersas nos diários oficiais em décadas de publicações. Ninguém
pensa ou pondera o fato de que não é preciso tanto detalhamento normativo.
Ninguém lembra que o entulho normativo engessa o país e afugenta os
investimentos. Ninguém enxerga o ambiente perverso e delituoso que resulta
desse caldo de abominações. Na realidade, tá tudo claro pra todo mundo, mas
ninguém se mexe.
Outro
aspecto das proposições e dos debates que acaba passando incólume diz respeito
às regulamentações posteriores daquilo que for aprovado ao final de tudo. Observamos
claramente que as discussões são sempre em nível macro, onde a todo momento
ouvimos alguém dizer que isso ou aquilo será objeto de regulamentação em dispositivos
infralegais. Trocando em miúdos, isso significa que quem efetivamente irá fazer
a verdadeira reforma tributária serão os técnicos burocráticos do governo. São
eles que transformarão a lei aprovada numa maçaroca 50 vezes maior, que são os
detalhamentos operacionais. Sendo assim, é possível que a aprovação da PEC45
traga zilhões de páginas normativas feitas por pessoas que não têm mandato; que
não foram eleitas. Essa bomba vai cair no colo dos contadores e a conta vai para
o bolso do empresário e do consumidor.
Lamentavelmente,
a maioria do empresariado não está acompanhando nem estudando com profundidade o
assunto reforma tributária. Parece que o povaréu se colocou na condição de puro
espectador que vai engolir o que vier. Mesmo assim, algumas categorias patronais
resolveram partir para a ofensiva. As empresas de streaming estão lutando
bravamente contra os 400% de majoração tributária proposta pela PEC45. Mas
ainda é muito pouco. O Brasil inteiro deveria se unir nessa luta porque, se a
nação inteira pressionasse o governo, o que iria acontecer de fato era uma
reforma administrativa que reduzisse o tamanho da máquina estatal. Curta e siga
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terça-feira, 3 de setembro de 2019
Questão central da reforma tributária
Reginaldo de Oliveira
Publicado no Jornal do Commercio dia 3 / 9 / 2019 - A374
Como
se dá a cobrança de ICMS substituição tributária interna no Amazonas? A Sefaz aplica
um percentual sobre a mercadoria e, depois do pagamento, assunto encerrado. Isso
significa que muito raramente sobra alguma coisa desse processo que venha se converter
em riscos patrimoniais futuros. Esse percentual sintetiza um conjunto de
cálculos matemáticos sobre operações legalmente presumidas. E quanto às
operações “normais”? Nesse caso, a Sefaz cobra uma antecipação da apuração futura.
No mecanismo de apuração, o débito das vendas menos créditos diversos são
confrontados na escrituração fiscal para definição dos valores posteriormente
repassados ao erário. Situações não tão raras compreendem verdadeiras
engenharias para construir essas ditas apurações, quando então o conjunto de
ingredientes exóticos borbulha no caldeirão pilotado pelo alquimista contador. Saindo
do esoterismo e entrando na seara positivista, o responsável tributário da
empresa acaba se valendo duma série de elementos documentais e jurídicos como meios
de reduzir a quantidade de dinheiro repassado aos cofres públicos. Isso implica
na pavimentação dum terreno cheio de instabilidades e com alto potencial litigioso.
Resumo da ópera: apuração é sempre sinônimo de preocupação com alguma coisa mau
utilizada ou mal interpretada.
O
regime da substituição tributária do ICMS, apesar do estigma polemizador, afasta
o conturbado mecanismo de apuração quando encerra o processo de cobrança
existente ao longo da cadeia de distribuição. Tal modelo arrecadatório elimina
o imposto do meio dessa cadeia. E isso confere uma tranquilidade sem tamanho
para muita gente. As autopeças amazonenses, por exemplo, navegam no oceano da
tranquilidade quando comparadas aos grandes distribuidores da nossa região
porque simplesmente não fazem apuração; elas pagam tudo antecipadamente. E isso
reduz drasticamente o custo administrativo porque não precisam de tantos
funcionários controlando meio mundo de fontes de créditos para serem abatidos
dos débitos. Já, as distribuidoras (e outras empresas), possuem um batalhão de
funcionários debruçados nos infinitos detalhes da papelada fiscal. E mesmo
assim não conseguem evitar os autos de infração.
O
regime do ICMS-ST é uma excelente sugestão para o debate da reforma tributária.
Vamos imaginar que o percentual lançado nas notificações DTE percam a sua característica
atual e se transforme de fato numa alíquota interna. Teríamos assim uma tabela
com grupos de produtos sujeitos a determinadas alíquotas. Com isso, todos os
produtos ingressados no Amazonas pagariam o imposto na entrada e, depois disso,
assunto encerrado. Tal como ocorre no regime atual da ST, quando o primeiro
contribuinte paga, todos os demais da cadeia subsequente ficam dispensados do
recolhimento. Esse modelo vigorou no Acre até 2015. Desse modo, tanto as
empresas acrianas quanto o próprio agente fazendário tinham pouca burocracia
para gerenciar. Veio então o Convênio 92 acabar com a paz de todos e promover substantivos
aumentos dos custos administrativos.
Num
modelo ideal, o imposto incidiria somente no ingresso da mercadoria na unidade
federativa de destino. Mas, como os estados remetentes não abrem mão do imposto
interestadual, que então continuasse a taxação de 4%, 7% ou 12% na saída e
fosse recolhido o imposto no destino uma única vez. Com o passar dos anos,
poder-se-ia diminuir gradualmente a carga na origem e aumentar no destino até
que tudo fosse cobrado somente no estado consumidor. Obviamente, que uma proposta
desse tipo enfrentaria poderosas resistências dentro das entidades fazendárias
pelo forte impacto demolidor sobre a burocracia. Caindo a burocracia infernal,
os agentes públicos perderiam seus instrumentos extorsivos. Hoje, a mais brutal
e confusa burocracia do mundo é um poderoso apetrecho de guerra nas mãos do
fiscal corrupto que adentra as instalações do contribuinte plenamente convicto
de que encontrará algo passível de punição. Como disse um desses agentes para
um empresário amazonense: “não adianta gastar dinheiro com gestão avançada de
impostos porque nós encontramos cabelo em ovo”.
A
grande questão centrada nas discussões da reforma tributária deveria ser o combate
à burocracia nociva que destrói patrimônios particulares. Na verdade, o combate
à burocracia é a nossa moderna cruzada que teria o objetivo de enviar todos os
agentes corruptos para as profundezas do inferno. Curta e siga @doutorimposto
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